
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) foi reconhecida em meados de 1981, nos EUA, a partir da Identificação de um número elevado de pacientes adultos do sexo masculino, homossexuais e moradores de San Francisco ou New York, que apresentavam "sarcoma de Kaposi ", pneumonia por Pneumocystis carinii e comprometimento do sistema imune, o que levou à conclusão de que se tratava de uma nova doença, ainda não classificada, de etiologia provavelmente infecciosa e transmissível.
Em 1983, o vírus foi isolado em pacientes com AIDS pelos pesquisadores Robert Gallo, nos EUA, e Luc Montagnier, na França, recebendo os nomes de LAV (Lymphadenopathy Associated Virus ou Vírus Associado à Linfadenopatia) e HTLV-lll (Human T-Lymphotrophic Virus ou Vírus T-Linfotrópico Humano tipo lll), respectivamente nos dois países.
Em 1986, foi identificado um segundo agente etiológico, também retrovírus, com características semelhantes ao HIV-1, denominado HIV-2. Nesse mesmo ano, um comitê internacional recomendou o termo HIV (Human Immunodeficiency Virus ou Vírus da Imunodeficiência Humana) para denominá-lo, reconhecendo-o como capaz de infectar seres humanos.
O HIV é um retrovírus com genoma RNA, da família Lentiviridae. Pertence ao grupo dos retrovírus citopáticos e não-oncogênicos que necessitam, para multiplicar-se, de uma enzima denominada transcriptase reversa, responsável pela transcrição do RNA viral para uma cópia DNA, que pode, então, integrar-se ao genoma do hospedeiro.
Origem
Embora não se saiba ao certo qual a origem do HIV-1e 2, acredita-se que uma grande família de retrovírus relacionados a eles está presente em primatas não-humanos, na África sub-Sahariana.
Todos os membros desta família de retrovírus possuem estrutura genômica semelhante, apresentando homologia em torno de 50%.
Aparentemente, o HIV-1 e o HIV-2 passaram a infectar o homem há poucas décadas. Alguns trabalhos científicos recentes sugerem que isso tenha ocorrido entre os anos 40 e 50.
Numerosos retrovírus de primatas não-humanos encontrados na África têm apresentado grande similaridade com o HIV-1 e com o HIV-2.
O vírus da imunodeficiência símia (SIV), que infecta uma subespécie de chimpanzés africanos, é 98% similar ao HIV-1, sugerindo que ambos evoluíram de uma origem comum.
Por esses fatos, supõe-se que o HIV tenha origem africana. Ademais, diversos estudos sorológicos realizados na África, utilizando amostras de soro armazenadas desde as décadas de 50 e 60, reforçam essa hipótese.
No dia 1° de Dezembro é comemorado o "Dia Mundial da Luta Contra a Aids". Nesse dia, se comemora o esforço de cada nação no combate à AIDS . A data é dedicada à luta contra a AIDS pela solidariedade, contra a discriminação e o preconceito em relação a todas as pessoas que vivem com HIV. O laço de fita vermelho, é um indicativo, de que quem o usa, está atento e disposto a ser solidário com as pessoas convivendo com o HIV/AIDS.
Novidades sobre a origem da Aids
Quatro anos após terem argumentado que os seres humanos provavelmente adquiriram o vírus da AIDS ao comerem carne de chimpanzés, os mesmos pesquisadores dizem agora que rastrearam a origem do organismo até uma etapa ainda anterior - quando macacos foram devorados por chimpanzés.
Eles acreditam que o precursor simiano do vírus da AIDS tenha sido criado em chimpanzés que comeram A Carne de duas espécies de macacos infectados por vírus diferentes, mas aparentados: o mangabey de topete vermelho e o guenon de bigode.
Os pesquisadores chegaram a essa dedução ao seqüenciarem os genes dos vírus simianos da imunodeficiência em chimpanzés e em 30 espécies de macacos e, a seguir, compilarem as "árvores genealógicas" para verificar quais deles tinham parentesco mais próximo.
O estudo foi realizado em conjunto por pesquisadores da Universidade de Nottingham, Universidade do Alabama em Birmingham, Universidade Duke, Universidade Tulane e Universidade de Montpellier, na França. A conclusão é importante, afirma Beatrice Hahn, virologista da Universidade do Alabama em Birmingham e uma das autoras do estudo, "porque demonstra que os chimpanzés adquiriram o vírus exatamente da mesma forma que os humanos - ao devorarem animais que caçaram".
Nem os chimpanzés nem os macacos adoecem devido ao vírus. Ao contrário dos outros grandes macacos, os chimpanzés são caçadores formidáveis. Tropas de machos freqüentemente trabalham em conjunto; alguns perseguem os macacos por entre as copas das árvores enquanto outros aguardam nas árvores próximas para derrubar com um golpe as suas presas dos ramos. Outro grupo, no solo, segue a movimentação, saltando sobre os macacos que são derrubados e espancando-os até a morte.
Os machos caçadores despedaçam as suas presas membro a membro e as comem no local da caçada, dividindo as carcaças ou trocando-as por relações sexuais com as fêmeas, de forma que é fácil visualizar o contato com o sangue, derivado de "feridas abertas ou da mastigação de ossos", diz um pesquisador. A teoria mais aceita sobre a origem do HIV é que em algum lugar na África Central, provavelmente entre 1910 e 1950, um chimpanzé caçador contraiu o vírus ao se ferir enquanto esquartejava uma carcaça de macaco.
A seguir, o vírus simiano sofreu uma mutação, transformando-se no HIV e espalhando-se entre os humanos, na maioria dos casos por meio de relações sexuais. No entanto, "muita gente não acredita nisso e diz que a origem do vírus está na vacina contra a poliomielite, em agulhas sujas, em tatuagens ou em práticas tribais malucas", afirma Hahn. "Isso revela falhas de argumentação." Especialistas que não estão vinculados ao estudo dizem que ele é plausível.
Ronald Desrosiers, professor de genética da Escola de Medicina da Universidade Harvard, diz que "parece que a teoria faz sentido" e demonstra como é fácil a transferência de doenças entre espécies. Outro especialista, Edward Hooper, argumentou no seu livro de 1999, "The River" ("O Rio"), que um vírus de chimpanzé foi transmitido aos seres humanos quando uma vacina oral experimental contra a poliomielite foi cultivada em um meio contendo células de chimpanzé e utilizada em regiões do antigo Congo Belga, de 1957 a 1960.
Ele diz que o novo estudo é "razoavelmente plausível, embora baseado em dados limitados". "Não tenho problemas com relação à idéia de que os chimpanzés contraíram o vírus ao comerem macacos", afirma
. Os cientistas acreditam que dois vírus de macaco estão envolvidos no processo, já que o vírus dos guenons (Cercopithecus nictitans) era o mais assemelhado na parte do genoma que contém o código para o envelope protéico do microorganismo, enquanto que o vírus do mangabey (Cercocebus torquatus) apresentou maior similaridade em um segmento diferente. Não há meios de se saber quando os dois vírus se fundiram no organismo de um chimpanzé. "Pode ter sido há séculos ou há dezenas de milhares de anos", explica Hahn.
O vírus do chimpanzé foi encontrado em duas subespécies que habitam a África Central, conhecidas como troglodytes e schweinfurthii, mas, até o momento, não na subespécie que vive mais a oeste, o verus, e tampouco em uma espécie próxima, que habita uma região ao sul do Rio Congo, o banobo peludo ou chimpanzé pigmeu.
O fato de o vírus não ter conseguido se disseminar entre todos os chimpanzés antes de estes terem se diversificado em subespécies sugere que o microorganismo é relativamente novo, dizem os pesquisadores. As subespécies estão separadas há períodos enormes por grandes rios como o Congo e o Ubangi, já que os chimpanzés são incapazes de atravessar barreiras aquáticas.
Um estudo assemelhado sobre o vírus em chimpanzés selvagens, realizado por vários dos mesmos autores, e que deve ser publicado no periódico "Journal of Virology" no mês que vem, revela que a sua ocorrência é bem menos comum nesses animais do que nos macacos e que a taxa de infecção varia de região para região e de bando para bando. Nenhum dos chimpanzés estudados no Parque Nacional Kibale, em Uganda, estava infectado. Estima-se que cerca de 13% dos chimpanzés do Parque Nacional Gombe, na Tanzânia, tenham o vírus.
Já entre os macacos adultos, entre 50% e 90% da população está infectada com a sua versão do vírus, diz Paul M. Sharp, professor de genética da Universidade de Nottingham. Devido ao fato de os chimpanzés selvagens, que chegam a quase dois metros de altura, serem capazes de matar facilmente os seres humanos, a obtenção de amostras sangüíneas é tarefa perigosa, de forma que os pesquisadores observam os animais de uma distância suficientemente próxima para que possam examinar amostras de fezes e urina. Ainda não se sabe exatamente como os chimpanzés infectam uns aos outros e por que a doença não está mais disseminada entre eles, já que possuem vários parceiros sexuais e brigam com freqüência, muitas vezes distribuindo mordidas, uma prática que em alguns raros casos resultou na transmissão do vírus entre os humanos.
Donald G. McNeil Jr.
Fonte: The New York Times / Agência de Notícias da AIDS - Junho/2003)