A opinião que a criança tem de si mesma está intimamente relacionada com sua capacidade para a aprendizagem e com seu rendimento. O auto-conceito se desenvolve desde muito cedo na relação da criança com os outros. Os pais atuam como espelhos, que devolvem determinadas imagens ao filho. O afeto é muito parecido com o espelho. Quando demonstro afetividade por alguém, essa pessoa torna-se meu espelho e Eu me torno o dela; e refletindo um no sentimento de afeto do outro, desenvolvemos o forte vínculo do amor, essência humana, em matéria de sentimentos. É nesta interação afetiva que desenvolvemos nossos sentimentos positiva ou negativamente e construímos a nossa auto imagem. Se os pais estão sempre opinando a partir de uma perspectiva negativa para os filhos, e se estão sempre taxando-os de inúteis e incapazes, ou usando de zombarias e ironias, irá se formando neles uma imagem "pequena" de seu valor. E se com os amigos, na rua e na escola, repetem-se as mesmas relações, teremos uma pessoa com auto - estima baixa e baixo sentimento de auto - avaliação. Como desenvolver a auto - estima ? Quando a criança tem êxito no que faz - e já falamos sobre a forma de ajudá-las nesse sentido - começa a confiar em suas capacidades. E quanto mais acredita que PODE FAZER, mais consegue. É importante ensinar à criança que ela pode fazer algumas coisas bem, e que pode ter problemas com outras coisas. E que esperamos que faça o melhor que puder. Também é uma boa ajuda admitirmos nossos próprios erros ou fracassos. Ela precisa saber que também nós não somos perfeitos : "Sinto muito. Não devia ter gritado. Fiquei o dia todo chateado." Para ajudá-la a criar bons sentimentos é importante elogiá-la e incentivá-la quando procura fazer alguma coisa, fazendo-a perceber que tem direito de sentir que é "IMPORTANTE", que "pode aprender", que "consegue" e que sua família lhe quer bem e a respeita. O cuidado reside em adequar as tarefas que cabem a cada idade e permitir que ela tente, como colocar o suco no copo (ainda que derrame), a roupa (mesmo do avesso), a jogar objetos no lixo, guardar os brinquedos, as peças do jogo, ajudar na arrumação dos seus livros, fitas de vídeo, enfim, solicitar a ajuda da criança, partilhando com ela pequenos afazeres, vale até aplausos às suas conquistas. Portanto, estabeleça metas realistas e adequadas a idade de seu filho. Dê-lhe oportunidade de desenvolver-se sem super protegê-lo ou sem pressioná-lo, nem compará-lo com outras crianças. Assim, ele formará um conceito positivo de si mesmo. E para desenvolver esse sentimento, estimule-o quando ele sentir que não tem condições de realizar algo. Talvez tenha de dizer-lhe : "Claro que você pode. Vamos, vou te ajudar." Breve Relato de experiência Certa vez, como professora da 1a série, trabalhando com crianças de 6 anos e meio e 7 anos, deparei-me com um menino que possuía imensa capacidade intelectual, forte interesse pela literatura e na época já havia lido "Os Lusiadas" (Camões), mas sua coordenação motora global ficara comprometida, apresentando dificuldade para correr, pular, jogar bola, subir em árvores; atividades comuns às crianças desta faixa etária. Sempre que íamos ao parque da escola, seus olhos brilhavam ao ver os amigos subindo e brincando na goiabeira. Incentivei-o muitas vezes a subir e orientei-o para não temer cair, pois a árvore estava rodeada de areia do parque. Até que certo dia, subi com ele na árvore: "Vamos, Eu subo com você." E brincamos juntos. Foi o início de novas experiências para ele. Em outras situações, uma palmadinha no ombro, um sorriso, uma Palavra de elogio ou de incentivo de vez em quando, ajuda e muito, a desenvolver na criança sentimentos positivos. Mas é importante que o elogio seja merecido. Ela sabe quando é sincero. E se for falso, isso fará com que não tente mais! É melhor elogiar o que fez, do que elogiá-la diretamente. "Nossa, que quarto arrumadinho!"... "Gostei de ver como você foi educada com a mãe do Dudu." A criança precisa sentir-se satisfeita consigo mesma para aprender e para alidar os seus sentimentos.