Mesmo que o texto seja um mero exercício escolar, antes de construí-lo, pergunte-se: para quem escrevo? O tipo de receptor determina a forma de sua Mensagem. Um panfleto dirigido a moradores da periferia da cidade ou a crianças precisa ter uma linguagem fácil, direta, sem rebuscamento; já uma monografia, dirigida a um público especializado, permite que o redator abuse de termos técnicos. Na verdade, em qualquer situação, a simplicidade sempre é recomendada.
É possível escrever fácil sem ser vulgar, pois não há assunto que não possa ser traduzido num linguajar acessível. Escreva na ordem direta, dispense os detalhes irrelevantes e vá diretamente ao que interessa, sem rodeios.
"A simplicidade do texto não implica necessariamente repetição de formas e frases desgastadas, uso exagerado de voz passiva, pobreza vocabular" recomenda o Manual do Estadão para o texto jornalístico. Com palavras conhecidas de todos, é possível escrever de maneira original e criativa e produzir frases elegantes, variadas, fluentes e bem alinhavadas. Não seja pedante. Eis alguns exemplos:
SIMPLES: votar, pretender, voltar, tribunal, passageiro, eleição, entrar, acompanhar, índices, cobrados.
REBUSCADO sufragar, objetivar, regressar, corte, usuário, pleito, ingressar, monitorar, patamares, praticados.
No jornalismo há duas correntes. A primeira prima pela linguagem simples, sem rebuscamento; a segunda acusa a primeira de estar idiotizando o leitor, por isso defende uma linguagem mais rebuscada.
À medida que o jornal vai chegando às mãos das pessoas mais simples, não seja um meio de comunicação elitizado, a simplicidade deve imperar. Afinal, ele é feito para ser lido e entendido.