Na sociedade moderna, freqüentemente vêm surgindo situações inusitadas, que fogem às regras e à tradição, assinalando mudanças cada vez mais rápidas nas estruturas, nas relações e nos valores sociais. Em 2003, a homossexualidade esteve presente nas discussões diárias: Manoel Carlos, autor da novela Mulheres Apaixonadas, exibida pela Rede Globo, compôs duas personagens femininas que são namoradas. A Parada Gay, na Avenida Paulista, contou com muito mais pessoas, além das que se declaram gays. Incidentes, como o do casal de namorados proibido de se beijar num shopping paulista, polemizam ainda mais os valores sociais. Em país vizinho, Argentina, homossexuais já podem casar-se. Não é possível, portanto, ignorar situações tão relevantes, que mexem com valores, conceitos, direitos e sentimentos das pessoas. Leia os textos seguintes e elabore uma dissertação em prosa, na qual exponha e fundamente seu Ponto de vista sobre o tema: A SOCIEDADE E A HOMOSSEXUALIDADE NOS DIAS ATUAIS. A força do arco-íris Os gays já foram considerados criminosos - e julgados por isso. A Inglaterra do século XIX enforcou dezenas deles. Na mesma época, as autoridades russas mandavam o muzhelozhstvo(que quer dizer "homem que dorme com homem") passar até cinco anos na Sibéria. A Alemanha nazista deu aos homossexuais o mesmo tratamento reservado aos judeus. Num dos mais famosos julgamentos da história, ocorrido em 1895, o escritor irlandês Oscar Wilde foi acusado de sodomia e comportamento indecente. Diante do juiz, definiu a atração física entre dois homens como o "amor que não ousa dizer o nome". Wilde acabou condenado e sentenciado a dois anos de prisão e trabalhos forçados. Numa fase seguinte, os homossexuais passaram a ser tratados não mais como criminosos, mas como doentes, "portadores de uma anomalia" que podia conduzi-los à Depressão e ao suicídio, donos de uma propensão especial à prática de crimes. Somente há pouco mais de dez anos a Organização Mundial da Saúde retirou o homossexualismo da Classificação Internacional de Doenças. Atualmente, os especialistas já não discutem o que leva alguém ao homossexualismo. Trata-se de uma mistura de fatores, resultado de influências biológicas, psicológicas e socioculturais, sem peso maior para uma ou para outra - nunca uma determinação genética ou uma opção racional. Evoluiu a conceituação, eliminaram-se os empecilhos, mas continua ser difícil assumir a homossexualidade. (...) Apesar do preconceito, o panorama se tornou menos hostil aos gays em função de uma série de vitórias computadas aqui e ali. (...) Mesmo no Brasil, onde a legislação não é das mais avan-çadas, os gays registram diversas conquistas. (...) A decisão mais famosa ocorreu em janeiro do ano passado, após a morte da cantora Cássia Eller. A Justiça carioca resolveu que Chicão, o filho da cantora, poderia ficar provisoriamente com a companheira dela, Maria Eugênia Vieira Martins, que viveu com Cássia durante catorze anos. "A questão da homossexualidade não tem importância", escreveu o juiz na sentença. "O essencial foi assegurar o interesse superior de Chicão." O respeito aos gays e a seus direitos produz um efeito imediato na vida deles, mas também inocula na sociedade uma preocupação crescente em respeitar as diferenças individuais, não apenas de ordem sexual, mas de classe social e cor, por exemplo. (Camila Antunes, Veja, 25.06.2003.) Vaticano lança campanha mundial contra união civil homossexual O Vaticano lançou hoje uma campanha mundial contra a legalização da união civil homossexual e pediu aos políticos católicos de todo o mundo que se pronunciem de forma "clara e incisiva" contra as leis que favorecem casamentos gays. A campanha foi lançada através de um documento oficial, de 11 páginas, divulgado hoje com o título "Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais" e preparado pelo cardeal alemão Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. O documento, aprovado em março passado pelo Papa João Paulo II, estabelece que reconhecer legalmente as uniões civis homossexuais ou equipará-las ao matrimônio "significa não apenas aprovar um comportamento desviado e convertê-lo em modelo para a sociedade atual, como também afetar os valores fundamentais que pertencem ao patrimônio comum da humanidade". Para o Vaticano, a "homossexualidade é um fenômeno moral e social inquietante", que se torna cada vez mais preocupante nos países nos quais já se concedeu ou se tem a intenção de conceder o reconhecimento legal às uniões homossexuais". (Folha Online, 31.07.2003.) Gays realizam manifestação contra Vaticano no centro de SP A Associação do Orgulho GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros) de São Paulo realiza no início desta tarde, no centro da cidade, um protesto contra o documento emitido pelo Vaticano, na semana passada, que condena o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Os manifestantes estão reunidos na frente da Catedral da Sé. O objetivo da associação é conversar com os fiéis após a celebração da missa das 12h. Não há estimativa de público. O grupo de homossexuais Ação Direta, do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), também participa do ato. Segundo o líder do movimento, Leandro Paixão, a postura da Igreja Católica é uma volta à "caça às bruxas". "Nós lutamos pela aprovação de união dos homossexuais. Os mesmos direitos que os casais heterossexuais têm, os homossexuais também devem ter", disse. Representantes da catedral disseram que a igreja respeita qualquer manifestação e que os homossexuais têm direito de protestar. (Folha Online, 05.08.2003.) Protesto gay atrai três mil pessoas em São Paulo Milhares de pessoas lotaram neste domingo a praça de alimentação do shopping Frei Caneca para assistir ao "beijaço" coletivo organizado por grupos gays em protesto contra o preconceito sofrido por um casal gay na semana passada. Um casal de homossexuais foi expulso do shopping após um beijo na boca. (O Globo. 03.08.2003.) Veto a união gay vira bandeira eleitoral de Bush Os republicanos não pouparam críticas à decisão da Suprema Corte de Massachusetts, que considerou inconstitucional o dispositivo que proíbe o casamento de homossexuais, mas não escondem sua satisfação: o tema agora promete ser o divisor de águas da próxima campanha presidencial, na qual George W. Bush, candidato à reeleição, vai posar como defensor da família e da moral. "O casamento é uma instituição sagrada entre um homem e uma mulher. E vou trabalhar com os líderes do Congresso para fazer o que for legalmente necessário para defender a santidade do casamento", afirmou Bush, que está na Grã-Bretanha, em visita oficial. Em Washington, o líder da maioria na Câmara, o republicano Tom Delay, do Texas, anunciou que vai acelerar a votação de uma emenda constitucional que define o casamento "apenas como a união de um homem e uma mulher", proposta por Marilyn Musgrave, republicana do Colorado. Segundo Delay, essa é a única forma de "dar um jeito no judiciário desgarrado de Massachusetts"