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Escrever se aprende

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Este é um pequeno “bate-papo” antes de iniciarmos nossas conversas sobre leitura e produção de textos escritos.       A primeira e mais ouvida pergunta que é feita aos professores de redação é sempre a mesma: “Professor, como se aprende a escrever? “Tenho facilidade para conversar, leio e quando chega a hora de passar o que penso pro papel “’dá um branco”, o que fazer?” A frustração é muito grande quando afirmo que só se aprende escrevendo e, se possível, lendo muito.       A grande dificuldade que os alunos enfrentam com relação ao escrever refere-se à necessidade que ele tem de deixar a linguagem coloquial, aquela do dia-a-dia, e passar a se expressar por escrito. Ela exige uma linguagem mais formal, mais cuidadosa. A fala é mais espontânea, menos cerimoniosa e, com certeza, mais fácil que escrever. A escrita tem suas normas próprias ( ortografia, acentuação, a falta de um interlocutor à sua frente etc.).       Outra questão muito comum entre os alunos é dizer que naquele dia não está inspirado, que não vai conseguir escrever. Pois está aí, mais uma crendice. “Gustavo Ioschpe, jornalista da Folha de São Paulo, diz que além do 1% de inspiração que está no DNA de qualquer aspirante a Machado de Assis ou Shakespeare, o que é determinante são os 99% de transpiração”.(Machado de Assis está por minha conta).       Outro esclarecimento preliminar a fazer é que as Aulas de Redação não vão habilitar ninguém a ser um João Cabral de Melo Neto nem tampouco um Graciliano Ramos. Destina-se, apenas, a instrumentalizar o aluno para que possa escrever “textos da escola” de forma eficiente para poder enfrentar uma etapa muito importante, que justo ou injusto, é o vestibular.       Também muito importante para produzir textos com eficácia é assistir a bons programas de televisão; programas estes que ajudam o aluno a pensar e depois de uma certa convivência com bons textos e programas , a estupidez fica praticamente impossível.       É preciso também que o aluno saiba que o resultado da redação escolar é um acordo prévio entre alunos e professores. São 50% de responsabilidade para cada um; o aluno tem de ser adjuvante neste processo; é preciso que ele queira aprender.       Depois deste nosso primeiro contato é chegada a hora de começar.       Boa Sorte, muita leitura, raciocínio e os escritos vão aparecer .       Adair Vieira Gonçalves é professor de Gramática e Redação, da COEB (Birigüi) e do Colégio Salesiano, Araçatuba-SP)

 

 

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