
A partir do momento em que a espécie humana adquiriu a capacidade do raciocínio, surgiu a necessidade de determinar quantidades. Quantos animais o homem primitivo precisava caçar para sustentar a si próprio e sua família? Por quantos dias a comida seria suficiente?
Com o aparecimento da agricultura, era necessário distinguir as estações do ano. Qual era a época certa para plantar, para colher? Como tinha sido a colheita?
Com o desenvolvimento da agricultura e a organização das pessoas em grupos cada vez maiores, surgiram as cidades. Com elas, o comércio; com o comércio, o dinheiro. Era preciso determinar o valor das coisas, a quantidade.
À medida que a humanidade foi atingindo um estágio mais evoluído, surgiram as dúvidas sobre a origem do mundo, sobre os fenômenos naturais.
A curiosidade do homem em compreender e aproveitar os fenômenos da natureza o levou a criar uma ciência que daria origem a todas as demais: a Matemática.
É importante conhecer um pouco da história da Matemática, entender os benefícios que esta ciência trouxe para a humanidade, uma vez que auxilia metodologicamente a investigação, organização, representação e análise para compreensão de fenômenos, e esta compreensão nos aproxima da realidade em diversos campos.
Inicialmente convém entender o significado de enumeração, numeração e número e suas respectivas aplicações.
Enumeração é o ato de contar por partes, um a um, os elementos de um conjunto, relacionando cada elemento com elementos de outro conjunto que sirvam como marcadores. Nas civilizações antigas eram representadas, normalmente, por partes do corpo. Um exemplo é a associação que as crianças fazem para representar a idade, levantando os dedos das mãos.
Numeração é a criação de palavras para representar a enumeração. Com o desenvolvimento da linguagem, várias partes do corpo passaram a receber nomes, os quais foram usados no processo de enumeração, ocorrendo então a mudança de enumeração para numeração.
Número expressa uma quantidade. Não há dados suficientes para fixar o período da História em que foram descobertos os números cardinais. Os documentos mais antigos mostram a presença deste conceito na China, Índia, Mesopotâmia e Egito.
A obra de Bernard H. Gundlach, História dos Números e Numerais, cita como exemplo uma tribo de Nova Guiné, os bugilai, que usavam a seguinte sequencia de partes, ticadas com o dedo indicador da mão direita:
| Enumeração |
Numeração |
Número |
| Dedo mínimo da mão esquerda |
Tarangesa |
1 |
| Dedo anular da mão esquerda |
Meta Kina |
2 |
| Dedo médio da mão esquerda |
Guigimeta |
3 |
| Dedo indicador da mão esquerda |
Topea |
4 |
| Dedo polegar da mão esquerda |
Manda |
5 |
| Pulso esquerdo |
Gaben |
6 |
| Cotovelo esquerdo |
Trankgimbe |
7 |
| Ombro esquerdo |
Podei |
8 |
| Lado esquerdo do peito |
Ngama |
9 |
| Lado direito do peito |
Dala |
10 |
Os sistemas de numeração surgiram quando a relação para enumerar elementos entre conjuntos se esgotou. O homem usava os dedos de uma mão, depois de outra mão, dos pés, de outras partes do corpo e até objetos. Tornou-se, então necessário estabelecer uma sequencia ordenada para relacionar um elemento ao seu marcador. Alguns desses sistemas não usavam valor de posição, são os sistemas não-posicionais. É curioso observar ainda que alguns desses sistemas não tinham representações para o número zero.
Posteriormente, desenvolveram-se alguns sistemas de numeração utilizando um valor como base, os sistemas posicionais, que deram origem aos cálculos usados hoje. Já dos sistemas de números originaram-se os conjuntos numéricos e suas propriedades e relações entre diferentes sistemas de números.
Algumas civilizações mais antigas ja tinham sistemas de numeração: babilônico, egípcio, romano, grego, chinês-japonês, maia e indo-arábico.