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Logaritmo

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Um número excessivamente grande de colégios e livros ainda apresenta o logaritmo como um mero artifício de cálculo viabilizando o cálculo rápido de multiplicações e quocientes de números, explorando o fato que o logaritmo tem a propriedade de transformar multiplicações e quocientes em somas e diferenças. Embora ele tenha sido inventado com esse propósito, o surgimento das calculadoras científicas eletrônicas, em 1972, tornou essa utilidade do logaritmo um mero assunto de cursos de História da Matemática! Apesar disso, e devido a outras propriedades, o logaritmo continua sendo uma das mais importantes funções da Matemática.

 

No material que segue, como um passo inicial em direção do entendimento da real importância dos logaritmos na atualidade, examinaremos o seu significado.

 

Rápida recordação do conceito de logaritmo

 

Se pensarmos em base 10 :

 

Dizemos que a dezena, a centena, o milhar, e assim por diante ( ie que 10 , 100 , 1000 , etc ) tem ordem de grandeza respectivamente 1 , 2 , 3 , etc pois que podemos escrever 10 = 10 1 , 100 = 10 x 10 = 10 2, 1000 = 10 x 10 x 10 = 10 3, etc .

 

Dizemos que o décimo, o centésimo, o milésimo, e assim por diante ( ie que 0.1 , 0.01 , 0.001 , etc ) tem ordem de grandeza respectivamente -1 , -2 , -3 , etc pois que podemos escrever 0.1 = 1/10 = 10 -1, 0.01 = 1/100 = 1/10 x 1/10 = 10 -2, 0.001 = 1/1000 = 1/10 x 1/10 x 1/10 = 10 -3, etc.

 

Dizemos que 1 tem ordem de grandeza 0 , pois que 10 0 = 1

 

Dizemos que, em base 10, os demais números positivos tem ordem de grandeza fracionária, ie que os logaritmos dos demais números positivos são números fracionários. Com efeito, vejamos um exemplo:

 

qual a ordem de grandeza ( ou o logaritmo ) de 40?

 

E' fácil ver que tem de estar entre 1 e 2, pois que 10 < 40 < 100 . Melhor do que isso, se V. pegar sua calculadora, V. poderá facilmente obter a seguinte tabela:

 

10 1.0 = 10.0000

10 1.1 = 12.5892

10 1.2 = 15.8489

10 1.3 = 19.9526

10 1.4 = 25.1189

10 1.5 = 31.6228

10 1.6 = 39.8107

10 1.7 = 50.1187

10 1.8 = 63.0957

10 1.9 = 79.4328

10 2.0 =100.0000

 

Na tabela, V. pode ver que 10 1.6 < 40 < 10 1.7 , o que significa que o log de 40 está entre 1.6 e 1.7.

De um modo semelhante, V. pode ver que 10 1.60 < 40 < 10 1.61 , o que significa que o log de 40 está entre 1.60 e 1.61.

 

Se continuássemos ao infinito esse processo, poderíamos ver que o valor exato da ordem de grandeza de 40, ie do log 40, é

 

log 40 = 1.60205 99913 27962 ... .

 

 

Pode-se sintetizar toda a discussão acima dizendo-se que se um número positivo x pode ser escrito como x = 10 y ,  então seu log ( em base 10 ) é  y.

Resumindo:

 

log ( x ) = log ( 10 y ) = y

 

E se pensarmos em outras bases?

 

logaritmo de comerciantes

 

Poderíamos, por exemplo, pensar num logaritmo de comerciantes. Eles contam em dúzias, grosas ( 12 x 12 = 144 ), etc. Então, o loc ( 40 ), ie o logaritmo de comerciante de 40, é o número y tal que 40 = 12 y,  y esse que indica a ordem de grandeza de 40 quando o expressamos ou o medimos em termos de potências de 12.

 

EXERCICIO

Imitando o que foi feito acima para o log em base 10, mostre que

 

loc ( 40 ) = 1.48451 42993 31386...

 

logaritmo da Informática

 

Acompanhando o matemático Claude Shannon, o pessoal da Informática prefere contar em potências de 2, ou seja, eles preferem usar logaritmo em base 2.

Como um exemplo, vejamos a seguinte tabela que dá as mais frequentemente usadas profundidades de cor associadas às respectivas quantidades de cores possíveis de representar numa tela ( monitor ) de computador:

 

número de cores profundidade de cor

16 4

256 8

65 536 16

16 777 216 24

 

Uma propriedade básica do log ( em qualquer base ):

 

Nas igualdades 10 = 101 , 100 = 102 , 1000 = 103 , etc os valores dos números crescem em progressão geométrica enquanto que os seus expoentes - ie seus logaritmos base 10 - crescem em progressão aritmética.

É fácil mostrar que vale a seguinte versão geral desse fato: se os valores de uma variável x crescerem em PG os logaritmos ( em qualquer base ) de x crescerão em PA.

 

O log que NAPIER inventou em 1614 era bastante diferente do log natural.

O log de Napier tinha muitos inconvenientes e foi tornado obsoleto pelo próprio Napier que também, com Briggs em 1617, introduziu o log decimal.

É errado, consequentemente, chamar o log natural de neperiano.

 

E quanto a origem do log natural?

Os primeiros construtores de tabelas de logaritmos decimais ( log ) observaram que, sendo a uma constante:

 

log ( 1 + x ) ~ a . x , se x ~ 0

Como viram que essa aproximação poderia ser enormemente aproveitada na construção de suas tabelas, tiveram a feliz idéia de se perguntar o seguinte:

Em qual base B o log base B, logB, torna a aproximação acima a mais simples possível? Isso é, para qual valor de B teremos

 

logB ( 1 + x ) ~ x , se x ~ 0 ?

O valor de tal B foi prontamente achado ( é o que, hoje, chamamos de constante de Euler e = 2. 718 281 ...) e o correspondente log foi inicialmente chamado de log hiperbólico e depois de log natural.

 

Por que log hiperbólico?

Os dois primeiros matemáticos a estudarem teoricamente o ln ( log natural ), ST. VINCENT e DE SARASA em 1650, mostraram que ln r podia ser interpretado como a área do segmento do gráfico cartesiano da hiperbóle y = 1/x entre x=1 e x=r.

 

Por que o natural?

Porque dentre os vários log o que tem fórmulas mais simples para calcular derivadas , integrais e etc é o log em base e. Isso é constatado facilmente por qualquer aluno ao estudar Cálculo Infinitesimal.

A nível de segundo grau podemos dar a seguinte razâo para o "natural":

 

No contexto de variáveis contínuas, é muito mais fácil e natural - apesar das aparências - trabalharmos com ex do que com 10x

Ao fazermos essa opção de simplicidade automaticamente estamos fazendo a opção pelo log natural em vez do log decimal ( pois, conforme sabe todo aluno de segundo grau, logaritmação e exponenciação são operações inversas e , então, onde anda uma - quase sempre - aparece a outra ).

 

Por que afirmamos que é mais fácil trabalharmos com ex do que com 10x?

Suponhamos que aplicamos um capital inicial de A reais a uma taxa de juros de 4 % ao mês. Qual será o capital A ( n ) acumulado em n meses?

 

se os juros forem calculados mensalmente ( processo discreto):

 

A ( n ) = 1.04 n A

 

se os juros forem calculados continuamente (processo contínuo):

 

A ( n ) = e0.04 n A

ou, de modo mais deselegante:

 

A ( n ) = 100.43429448 x 0.04 n A

 

Dados biográficos

Claude Elwood Shannon nasceu nos USA em 1916. Formou-se em Matemática e Engenharia Elétrica na Universidade de Michigan, e fez seu mestrado e doutorado no MIT. Trabalhou a maior parte de sua vida nos Laboratórios Bell e, após uma rapidíssima vida de professor, aposentou-se com cerca de 50 anos. Ainda é vivo e ativo intelectualmente ( poderíamos dizer que, principalmente, financeiramente uma vez que tem dedicado-se a desenvolver programas de análise do sistema financeiro de Wall Street e com os quais acabou formando um imenso capital ). Apesar de sua vida extremamente reclusa e estar afastado dos meios académicos é um dos mais famosos matemáticos vivos. Este pequeno trabalho objetiva lhe dar uma idéia da razão dessa fama.

 

Shannon e a matemática dos computadores eletrônicos

Motivado por necessidades de cálculos militares em balística, o Prof. Bush do MIT construiu em 1930 um potentíssimo computador analógico eletro-mecânico: o analisador diferencial de Bush. Na época era o computador mais potente em existência no mundo. Contudo, como todo computador analóogico, era uma máquina capaz de resolver um único tipo de problema, no caso: equações diferenciais.

Apesar disso, tinha duas inovações que mais tarde foram decisivas para a invenção dos computadores eletrônicos digitais : usava componentes eletrônicos e tinha certa capacidade de programação ( era capaz de resolver qualquer equação diferencial dada desde que suas componentes fossem reconfiguradas em função dessa ).

Nessa época, Shannon trabalhava como assistente de Bush e esse sugeriu-lhe que tentasse fazer um estudo matemático procurando descobrir o princípio que possibilitava o funcionamento da máquina construída um tanto quanto empiricamente.

Shannon dedicando-se ao problema, descobriu que os circuítos baseados em relays tinham seus estados de ON ou OFF ( ie, de ligado e desligado ) regidos pelas leis da Algebra de Boole . Mais do que isso, fazendo as associações:

 

ON - verdadeiro - 1

OFF - falso - 0

foi capaz de mostrar como construir circuítos baseados em relays e capazes de realizar cada uma das quatro operações aritméticas.

 

Hoje, em plena Era da Informática, poucas pessoas sã>

12r=ln(3)

assim:

r=ln(3)/12=0,0915510

Assim:

N(48)=200 e48.(0,0915510)= 16200 bactérias

Então, após 36 horas da útima contagem ou seja, 48 horas do início da contagem, haverá 16200 bactérias

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Desintegração radioativa

Os princípios da radioatividade foram desenvolvidos no início do século por Rutherford e outros. Alguns átomos são naturalmente instáveis, de tal modo que após algum tempo, sem qualquer influência externa sofrem transições para um átomo de um novo elemento químico e durante esta transição eles emitem radiações. Rutherford formulou um modelo para descrever o modo no qual a radioatividade decai. Se N=N(t) representa o número de átomos da substância radioativa no instante t, No o número de átomos no instante t=0 e k é uma constante positiva chamada de constante de decaimento, então:

 

N(t) = No e-k.t

esta constante de decaimento k, tem valores diferentes para substâncias diferentes, constantes que são obtidas experimentalmente.

 

Na prática usamos uma outra constante T, denominada meia vida do elemento químico, que é o tempo necessário para que a quantidade de átomos da substância decaia pela metade.

 

Se N=No/2 para t=T, temos

 

No/2 = No e-k.T

assim

T=Ln(2)/k

Na tabela abaixo, apresentamos indicadores de meia-vida de alguns elementos químicos:

 

Substância Meia-vida T

Xenônio 133 5 dias

Bário 140 13 dias

Chumbo 210 22 anos

Estrôncio 90 25 anos

Carbono 14 5.568 anos

Plutônio 23.103 anos

Urânio 238 4.500.000.000 anos

 

Para o Carbono 14, o valor da constante de decaimento é:

 

k = Ln(2)/T = Ln(2)/5568 = 12,3386 por ano.

 

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