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Grafemas da ortografia brasileira

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No Brasil, usamos 78 grafemas para representação de fonemas:

aàáâãbcçdeéêfghiíjkl
mnoóôõpqrstuüúvxywz
AÀÁÂÃBCÇDEÉÊFGHIÍJKL
MNOÓÔÕPQRSTUÜÚVXYWZ

Consideramos maiúsculas e minúsculas distintamente, em vez de tratá-las como variantes do mesmo Grafema, porque em nossa ortografia maiúsculas e minúsculas têm funções distintas e não podem ser comutadas livremente.

Além dos grafemas fonológicos, empregamos outros 14 sinais ortográficos:

. , ; : ? ! ... ( ) ’ “ ” - –

Os sinais não fonológicos de nossa ortografia formam um grupo bastante heterogêneo e as funções que desempenham são variadas. Alguns são supra segmentais como os pontos de interrogação e exclamação, que orientam a entoação da leitura. Outros, exercem função sintática como Parênteses, Ponto, Vírgula, Ponto e Vírgula, Dois pontos e hífen. Ainda temos os que cumprem funções ligadas ao foco do discurso como Travessão e Aspas. Por fim, temos que considerar que em alguns casos o sinal exerce mais de uma das funções citadas.

Alguns ideogramas também estão presentes em nossa ortografia como:

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9

Para completar, existem sinais que ficam em área limítrofe, não se podendo afirmar com certeza se pertencem ao domínio ortográfico do idioma como:

[ ] { } * @ & % + / º $ §

Correspondências entre grafemas e fonemas

Na situação ideal, teríamos correspondência biunívoca entre Grafema e Fonema, ou seja, um Grafema para cada Fonema e vice-versa. Não é o que acontece na língua portuguesa. Há muitos casos de fuga à regra do um para um. Podemos classificar as correspondências entre Fonema e Grafema da seguinte forma:

    *

      Relação biunívoca. Um Grafema para um Fonema e vice-versa. Em português, são biunívocos: b, d, f, p, t e v. Isso quer dizer que não existe nenhum caso em que o Fonema /b/ não seja representado pelo Grafema b.
    *

      Grafema representa univocamente fonema. O Grafema j, por exemplo, representa univocamente o Fonema /j/. Este, porém, é representado também pelo Grafema g. Exemplos: gelo, jarro e giro.
    *

      Fonema representado univocamente por grafema. O Fonema /r/, por exemplo, é representado unicamente pelo Grafema r. Este, porém, representa também o Fonema /R/. Exemplos: caro e raro.
    *

      Um Fonema para vários grafemas. Um Fonema é representado de várias formas em palavras diferentes. O caso mais notável é o do Fonema /s/ que tem inúmeras representações. Exemplos: seta, cebola, espesso, excesso, açúcar, auxílio, asceta.
    *

      Um Grafema para vários fonemas. Em palavras diferentes, o Grafema apresenta diferentes valores fonológicos. Por exemplo: casa/cebola, erro/era, gelo/garra, xarope/exílio.
    *

      Grafema mudo. O Grafema não expressa nenhum Fonema. É o caso do Grafema h quando ocorre no início da Palavra como em: harpa, herança, hiato, homem e humilhação. É o caso também do Grafema u em palavras como: guerra e guinada.
    *

      Dígrafo. O Fonema é representado por dois grafemas. Por exemplo: êmbolo, anta, chuva, pássaro, carro. Em português, esse tipo de abundância se limita a no máximo dois grafemas.
    *

      Fonema representado só por dígrafos. O Fonema /ẽ/ é representado em português apenas por dígrafos como: êmbolo, empada, então e ênfase. Também estão nessa categoria os fonemas /ĩ/ e /ũ/.
    *

      Dígrafo biunívoco. Em português, os fonemas /ñ/ e /λ/ são representados de forma biunívoca pelos dígrafos nh e lh respectivamente. Exemplos: manhã, velho, vinho, telha.
    *

      Dífono. Um Grafema expressa dois fonemas. Em português, o Grafema x apresenta esta característica em palavras como: sexo, /sécso/, tórax, /tóracs/

Diferença entre Grafema mudo e dígrafo

Um Grafema é mudo quando não modifica o valor típico dos grafemas adjacentes. Por exemplo:

harpa, herança, hiato, hoje e humilhação.

Nos exemplos, h é Grafema mudo porque não altera os valores típicos de a, e, i, o e u, que estão representando respectivamente /á/, /ê/, /i/, /ô/ e /u/.

Da mesma forma, o Grafema u em guerra e guinada é Grafema mudo porque não altera os valores típicos dos grafemas adjacentes. O Grafema g, por exemplo, está representando o Fonema /g/ como em gato, grama e garganta.

Um Grafema compõem um dígrafo quando cada Grafema do par perde o valor típico e juntos passam a representar um terceiro Fonema. Por exemplo:

ombro, amplo, anta, indicação.

Nos dígrafos realçados, os grafemas perderam seu valor típico de representação. O Grafema n, por exemplo, não está representando o Fonema /n/, função que lhe é típica. O Grafema m, por sua vez, não representa o Fonema /m/, o que acontece comumente. Percebemos isso mais claramente contrastando as palavras do exemplo anterior com as da lista a seguir:

omoplata, amigo, analgésico, início.

Alguns argumentos podem ser levantados contra o conceito de Grafema mudo. Vamos exemplificar um deles analisando a série a seguir:

guarida, guaraná

garra, gato.

guerra, gueto.

gelo, geriatria.

guirlanda, guindaste, guisado.

giro, gim.

Em português, a seqüência de grafemas gu tem comportamento ortográfico característico.

Quando gu é seguido de a, o Grafema u não é mudo. Nesse caso, u representa /ú/.

Quando gu é seguido de e ou i,  o Grafema u é mudo.

Quando g é seguido e ou i, representa invariavelmente /j/.

Pode-se dizer, a partir dessa análise que a função de u quando interposto entre g e os grafemas e e i é sinalizar o valor de g como /g/ e não como /j/. Esta é uma interpretação válida, mas cremos que a partir dela não se pode concluir que gu é dígrafo, afinal g representa tipicamente /g/ e /j/ em outros contextos.

 

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