Há três situações de uso do apóstrofo ( ' ) a considerar, conforme veremos na seqüência. Para analisar a primeira situação, vejamos os exemplos: Olho-d'água. Pau-d'arco. Os usos dicionarizados do apóstrofo são restritos a alguns casos em que a Preposição de se aglutina com a Palavra seguinte, resultando em elipse de Fonema. São casos em que a pronúncia elíptica se tornou predominante. O apóstrofo explicita a elipse do Fonema /ê/. Por outro lado, observe que embora possamos invocar uma hipotética supressão de fonemas nos exemplos a seguir, as representações com apóstrofo são inaceitáveis: Lembro d'aquele rapaz. Agiu d'um jeito estranho. Nesses casos, somente a consulta ao dicionário nos dirá quando se usa o apóstrofo e quando não.
No segundo caso de uso, o apóstrofo indica a elipse de um ou mais fonemas quando se quer representar pronúncias não previstas pela variante culta. Com o apóstrofo, se registra pronúncias elípticas coloquiais como nos exemplos seguintes: Vam' nessa. 'Tá tudo bem. O apóstrofo já foi bastante empregado pelos poetas no passado para representar pronúncias elípticas, visando uma adequação da métrica do poema. 'Stamos em pleno mar... (Castro Alves - O Navio Negreiro) Esse segundo uso do apóstrofo é peculiar, pois envolve uma transgressão consciente da ortografia oficial. Recomenda-se critério no seu emprego, ficando reservado aos redatores experientes. O novo acordo ortográfico da língua portuguesa prescreve um terceiro uso do apóstrofo. É a separação em duas partes de uma Palavra aglutinada quando uma das partes pertence a uma locução continuada na seqüência, como nos exemplos a seguir: Li n'O Globo. Está escrito n'Os Sertões. Encenação d'A Moratória.