
O palhaço é como um pássaro, porque é livre, faz algo positivo e extremamente prazeroso. Sem nenhuma marcação: de texto, luz ou palco, ele improvisa tudo com um simples roteiro O mesmo que se fazia na Commedia Dell'arte por volta do século XVII.
Durante a improvisação o público participa e essa interação faz que o espetáculo se torne um show único. O palhaço ri de si mesmo, brincando com as próprias limitações; ele é o personagem das bobagens, dos gestos distraídos, por isso desperta sentimentos ingênuos, puros e infantis. Num show, o único que cai, tropeça, comete enganos com o mágico e pode errar é ele, o palhaço. Com sua ingenuidade, reverte valores, ele sempre vai pelo caminho mais difícil: vestir um paletó, por exemplo, pode tornar-se uma aventura.
O primeiro registro do palhaço moderno, uma versão do bobo da corte da Idade Média, foi encontrado na Inglaterra do século dezoito. Alguns pesquisadores acreditam que o palhaço sugiu das brincadeiras feitas sobre os camponeses ingleses, que iam à cidade com roupas coloridas ao excesso. Mas há sérios indícios que um dos primeiros palhaços tenha sido um bêbado que entrou, por engano, num circo militar inglês, muito tradicional. Tinha o nariz avermelhado e roupas largas. O público gostou tanto, que o personagem foi incorporado às apresentações.
A profissão de palhaço exige uma dedicação constante. A técnica ensina como fazer rir, mas é trabalhando muito que se aprende a sintonizar com as pessoas. Tudo é questão de momento e cada público tem um tempo próprio, por isso o palhaço é uma criatura em transformação contínua. Nesse processo, as descobertas que o palhaço faz de si mesmo formam a base da sua ação.
Ser palhaço é uma atitude, no palco o ator não é um personagem, ele é só um palhaço. O nariz do palhaço é a menor máscara e fantasia do mundo, é a mais reveladora. Ao ser aquela figura, o palhaço acaba mostrando tudo o que gostaria de esconder. Mas quanto mais se mostra, mais o palhaço ganha energia, recebe um retorno das pessoas, se reabastece com o que elas lhe dá em troca. Porque, ao expor o que se esconde na vida social, mostra o que realmente somos: hipócritas, estúpidos, ridículos, bobos. Com algumas poucas atitudes diárias, como fazer careta na frente do espelho, para rir de si mesmo e observar o lado cômico das coisas, é possível imprimir mais graça ao dia-a-dia.
Atualmente, muitas pessoas vivem sozinhas, e é importante criar meios para que a rotina não se transforme em tormentos. A ciência já nos mostrou que se o homem parar de rir pode enlouquecer, e que o riso é um dos remédios para qualquer doença.