
A mitologia é a história dos deuses, semideuses e heróis da Antigüidade egípcia e greco-romana, onde as divindades representavam os conceitos abstratos do homem como os vícios, as virtudes e os sentimentos, usadas como exemplo para as ações e comportamento humano em sociedade.
Os gregos possuíam a deusa Themis para representar a justiça, a lei e a ordem que era a protetora dos oprimidos. Era uma das conselheiras do trono de Zeus, onde se sentava ao seu lado. Considerada o símbolo da ordem e do direito divinos, reafirmados através dos costumes e da lei, era sempre invocada pelas pessoas que faziam juramentos para confirmar uma verdade. Themis era representada como uma divindade de olhar austero, sem venda, segurando uma balança e uma cornucópia. Na mitologia romana era chamada "Justitia".
A tradição dos egípcios nos traz a deusa Ma'at , que era a expressão da suprema verdade, isto é, a essência da Justiça divina. O símbolo de Ma'at era uma pena de avestruz. Durante o Tribunal de Osíris, uma pena dessa era colocada em um dos pratos da balança, determinando o julgamento divino. Assim, as figuras de Ma'at e Themis sempre aparecem associando a humanidade e os deuses para a manutenção de um mundo equilibrado.
A Justiça atua naturalmente, quando a pessoa aceita integralmente o dom da vida e aprende a equilibrar sua balança interior. Isto é, atua com ações corretas e com amor no trabalho, no convívio com o meio ambiente, na educação dos filhos, na política e na sociedade.
A venda nos olhos de Themis foi criada pelos artistas alemães do século dezesseis que lhe retiraram a visão. A faixa nos olhos era um símbolo da sua imparcialidade, que não via diferença entre as partes a serem julgadas, fossem ricos ou pobres, poderosos ou humildes, grandes ou pequenos.
Suas decisões, justas e prudentes, não tinham como base a personalidade, as qualidades ou o poder das pessoas, mas somente a sabedoria das leis. Até hoje se mantém a venda na esfinge de Themis, indicando que a Justiça se mantém cega, para conceder a cada um o que é seu, sem conhecer as partes. Imparcial, não distingue o sábio, do analfabeto; o poderoso, do desamparado; o forte, do fraco; o maltrapilho, do abastado.
A todos aplica o reto direito. Assim vendada representou muitos séculos o exercício de justiças e injustiças, como uma referência mítica da civilização ocidental. Entretanto hoje a humanidade que repensa suas relações atuais entre as nações com a própria Justiça, requer a Themis de olhar austero, sem venda.
O mundo pede o seu retorno para representar a Justiça Social, onde o meio em que vive o indivíduo é colocado como agravante ou atenuante de suas ações e responsabilidades. A Justiça Social deve enxergar com olhos bons e despertos, de onde partem as injustiças, para ser correta, prudente, imparcial e agir firmemente.