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Hepatite

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Inflamação do fígado causada por vários tipos de vírus e, mais raramente, por agentes tóxicos, como medicamentos e o álcool. Os principais tipos de hepatite são os causados por vírus VHA (vírus da hepatite A), VHB (vírus da hepatite B) e VHC (vírus da hepatite C). Em geral, a doença tem uma fase aguda (logo depois do contato com o vírus) e pode evoluir para uma fase crônica (persistência da infecção seis meses após a fase aguda) nos tipos B e C, causando complicações graves, como cirrose hepática e câncer de fígado. A hepatite A não tem fase crônica. 

Sintomas - Não existem sintomas no início da fase aguda. Após um período de incubação variável, aparecem febre, dor de cabeça, mal-estar, cansaço, falta de apetite, enjôo, vômito, desconforto na parte superior do abdome, escurecimento da urina e amarelamento do branco dos olhos e da pele (icterícia). Entre duas e quatro semanas há uma melhora progressiva, até a cura completa. Nas formas agudas graves podem ocorrer distúrbio de comportamento e até coma. Mais raramente pode haver sangramento na gengiva e no nariz, além da presença de sangue na urina, nos vômitos e nas fezes. 

Contágio - Os vírus dos três tipos de hepatite são diferentes entre si. O da hepatite A é um hepatovírus, transmitido pela ingestão de água ou alimentos contaminados, pelo contato direto com doentes na fase aguda e, mais raramente, por transfusão de sangue. O vírus da hepatite B é um hepadnavírus, transmitido pelo sangue - por meio de relações sexuais, transfusões, uso de seringas e agulhas contaminadas. Esse vírus é 100 vezes mais transmissível que o HIV, causador da Aids. Cerca de 10% dos doentes não conseguem eliminar o vírus e desenvolvem hepatite crônica, cirrose ou câncer e, dos doentes crônicos, 30% terão câncer do fígado. O vírus da hepatite C pertence à família Flaviviridae e é transmitido por transfusão de sangue ou derivados (gamaglobulina, glóbulos vermelhos, plasma e plaquetas, entre outros) e pelo uso de agulhas e seringas contaminadas. Com menor freqüência, a transmissão pode dar-se de mãe para filho durante o parto, pelas relações sexuais e pelo contato direto com o doente. Até 80% dos casos evoluem para a infecção crônica, que, num prazo de dez a 15 anos, pode provocar cirrose e câncer de fígado. 

Prevenção e tratamento - A vacina contra a hepatite C ainda está em fase de estudo, porém existem vacinas contra a hepatite A e a B. Em 1999 chegou ao mercado brasileiro a primeira vacina contra hepatite B indicada a pacientes com insuficiência renal crônica, que precisam fazer diálise e são mais vulneráveis ao contágio. Nesse caso, a nova vacina aumenta de 50% para 86% a cobertura. A proteção de pessoas não vacinadas que sofrem acidentes com materiais contaminados, que têm relação sexual com portador crônico do VHB ou contato com pacientes da hepatite A é feita com o uso de gamaglobulina (para o VHA) e imunoglobulina (para o VHB) após a exposição ao vírus. Os cuidados para evitar a hepatite B e a C são os mesmos adotados para a Aids: uso de preservativo nas relações sexuais e de seringas e agulhas descartáveis. As crianças nascidas de mães portadoras crônicas do VHB devem ser vacinadas e receber a imunoglobulina imediatamente após o parto, para evitar a transmissão. 


Na fase aguda, o tratamento consiste em repouso absoluto e dieta sem gordura. As bebidas alcoólicas são proibidas por um ano. Nas fases crônicas, os doentes são tratados com o interferon-alfa, droga que atua como antiviral e fortalece o sistema imunológico. O tratamento é longo, caro e há melhora em 25% a 40% dos casos. Estão sendo realizadas pesquisas que associam outras drogas antivirais ao interferon, como a ribavirina para a hepatite C e a lamivudina para a B.

 

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