
O tuco-tuco é um roedor que pode chegar a 25 centímetros. A toca dele é um buraco na areia. Dificilmente ele sai de casa, só para se alimentar de um tipo de vegetação. É preciso paciência para ver o bichinho, mas logo em frente tem um. Ele é desconfiado, arisco. E tem motivos.
Os inimigos estão de olho. Predadores ficam à espreita, prontos para dar o bote. A coruja buraqueira, que caça sempre de dia, está impaciente e com fome. O tuco-tuco olha assustado. Ameaça deixar o buraco, se esconde. Terá desistido?
De repente, a surpresa. Eles raramente aparecem, mas a equipe do Globo Repórter teve sorte. Um segundo tuco-tuco surge no caminho. Uma espiada para ver se o terreno está livre, e começa uma longa limpeza da toca. O trabalho é pesado. Prevenido, ele escava já pronto para se esconder de novo ao menor sinal de perigo.
O tuco-tuco só é encontrado na América do Sul. São 60 espécies diferentes. Mas um, de pêlo mais claro, vive apenas no extremo sul do Brasil e foi o que mais sofreu com o avanço do progresso.
"A maior ameaça aos tuco-tucos é a exploração imobiliária. Ou seja, a ocupação das dunas pelas casas. Com isso, os animais não têm para onde ir e populações muito pequenas ficam vivendo em determinadas áreas", explica o biólogo Thales.
O tuco-tuco só se arrisca quando a fome fala mais alto. Mas o medo é tanto que volta para a toca sem a comida. Naquele dia, ninguém conseguiu o almoço.
Não muito longe dali mora outro roedor, parente do tuco-tuco. As capivaras vivem em bando. A família sai para um passeio, e cada um tem lugar marcado na fila.
Quando chegam do outro lado do banhado, os mais velhos monta