Pesquisa estuda nova praga em florestas de Pinus
Uma nova praga ameaça as florestas de Pinus no Brasil: são os pulgões do gênero Cinara, ocorrendo as espécies, C. pinivora e C. atlantica. Eles atacam as plantações debilitando árvores, podendo inclusive levá-las à morte. O pulgão alimenta-se da seiva da árvore e, ao sugá-la, pode também injetar saliva tóxica. Os danos que tem sido observados, são: amarelecimento e queda das acículas (folhas), deformação do tronco em árvores jovens, retardo do crescimento, superbrotação, bifurcação e, em alguns casos, morte da planta. Mais uma conseqüência é que 90% do que o pulgão consome é eliminado em forma de "honey-dew", um tipo de secreção açucarada. Esta secreção favorece o desenvolvimento de um fungo, a fumagina, que dificulta a fotossíntese, respiração e transpiração da planta. O ataque deste pulgão já foi detectado desde mudas no viveiro até em plantios com mais de 20 anos.
Esta praga é originária da América do Norte (Estados Unidos e Canadá) e foi detectada no Brasil, pela primeira vez, em 1996. A introdução destes insetos pode ter ocorrido de vários modos; por terem grande capacidade de dispersão, podem se dispersar através de correntes de vento que o carregam; outra maneira é através do próprio homem, pois muitas pessoas, quando viajam ao exterior, acham muitas plantas locais bonitas e acabam trazendo sementes ou mudas de plantas que naturalmente não existem no Brasil. Embora involuntária, esta atitude é muito perigosa para o meio ambiente, pois pode acabar trazendo junto algum problema para o meio local, como pragas e doenças desconhecidas.
Em 1999 é que estes insetos começaram a chamar a atenção dos produtores de Pinus. Desde os primeiros relatos, a Embrapa Florestas vem pesquisando e buscando maneiras de combater a praga, a qual já está presente nos estados do RS, SC, PR, SP e MG, ou seja, estados em que o Pinus tem grande importância econômica.
Assim, desde a constatação desta praga, no Brasil, a Embrapa Florestas já acumulou conhecimento suficiente sobre a biologia, flutuação populacional e alguns aspectos comportamentais e de ecologia, que estão auxiliando na implantação de um "Programa de Manejo Integrado dos Pulgões do Pinus".
Um dos objetivos da pesquisa que está sendo conduzida pela Embrapa Florestas, em parceria com a UFPR e FUNCEMA (Fundo Nacional de Controle à Vespa-da-Madeira) é controlar biologicamente estes pulgões, sem a necessidade de recorrer a produtos tóxicos como os inseticidas, que causam maior desequilíbrio e favorecem o surgimento de outras pragas. Os primeiros resultados apontam espécies de moscas da família Sirphidae e também larvas de joaninhas (Coleoptera, da família Coccinellidae) e larvas de crisopídeos (Crisopidae). Outra estratégia é a introdução de parasitóides dos países de origem da praga, os quais, por serem específicos, garantem uma ação eficiente de controle.