Virilidade, couro, botas e uniformes: todos estes elementos surgiram das fantasias eróticas de um homem, ou de um raro traço de genialidade. Tom da Finlândia, cujo nome verdadeiro é Touko Laaksonen (1920-1992), se tornou celebridade na arte homoerótica. Seus desenhos se tornaram verdadeiros ícones gays, foram bastante divulgados, e ainda hoje podem ser vistos em 4 museus (Los Angeles, São Francisco, Helsinque e Turku). Seu trabalho influenciou artistas como Mapplethorpe e Rainer Werner Fassbinder.
tomfin02.jpeg (13888 bytes)Touko, nascido no vilarejo de Kaarina, Finlândia, assumiu o pseudônimo pelas dificuldades em publicar seus trabalhos. Os amigos o incentivavam, mas a arte homoerótica ainda era vista como um tabu. Em 1957, para driblar o conservadorismo, Touko usou o estratagema do pseudônimo para que seus trabalhos fossem vistos pela primeira vez na revista Physique Pictorial. Tom da Finlândia começou a desenhar suas fantasias aos 19 anos, e após a Segunda Guerra Mundial, dedicou-se à publicidade, sem, no entanto, abandonar os traços marcantes e os fetiches que o popularizaram em antologias e pequenos livros.
Tom buscou na imaginação particular inspiração para o seu trabalho, e trouxe ao mundo das artes uma estética gay que até então ficava isolada em pequenos grupos de apreciadores. Com a publicação dos seus desenhos, Tom angariou sucesso e reconhecimento internacional. Ele mesmo explica: "durante toda a minha vida eu não fiz nada senão interpretar meus sonhos eróticos e desenhá-los".
Ainda sobre a sua arte, ele diz: "Sim, eu considero meu trabalho pronográfico. A pornografia estimula os sentimentostomfin03.jpeg (15035 bytes) sexuais das pessoas, e eu estou sempre atento a isso. Meu motivo é menor do que a arte". Mas a contribuição de Tom forneceu à comunidade gay e ao mundo todo uma identidade até então indevassável, criando uma marca, um símbolo inconfundível do seu traço.
A busca por um ideal estético foi se aprimorando durante a sua carreira, e uma maturidade no seu estilo de desenhar pode ser notada. Começando com um estilo agressivo, com machos dominantes (década de 40), há uma dedicação à beleza nos anos 50 e o machismo e hiper-masculinidade dos anos 60 aos 80. No final da vida, dedicou-se ao humor, enfatizando uma alegria que, segundo ele, era necessária aos homossexuais jovens.
Seus personagens são homens fortes e viris em situações sensuais. A técnica, uma mistura de realismo e exagero, em pastel ou grafite. A participação de Tom no exército certamente teve influência nos tipos: militares, guardas e cowboys fazem parte do universo do artista. Uma de suas frases célebres: "Quem quer que tenha desenhado os uniformes nazistas, só poderia ser gay. São os homens mais sexies que eu já vi em minha vida".
O artista também é reconhecido por ter criado a imagem do homem de couro como fetiche, que até hoje persiste, sendo um símbolo para um estilo que combina roupa, atitude e opção de vida.
Os homens retratados por Tom em seus desenhos são musculosos, têm peitos largos e os rostos firmes e quadrados, usam bigodes, e são bem dotados. Também são altos e têm corpos esculturais. Muitas vezes a expressão usada por Tom na sua arte transforma as suas criaturas em seres mais que humanos. Os peitos às vezes são tão exagerados que parecem querer explodir, órgãos genitais muito maiores que o possível contribuem para a sensação de idealismo e sonho. As roupas justas serviam também como sugestão para o excitamento dos atores das cenas.
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Como estímulo à fantasia Tom emprega uma característica: os modelos olham diretamente para o espectador, muitas vezes como um desafio. Há sadomasoquismo em chicotes, três homens dominando apenas um e gestos de excitação em situações onde o proibido é fonte de prazer. O voyerismo também é recorrente. Os personagens de Tom transitam em ambientes como estrebarias, fundos de quintal, bares fechados e quartos e botas de cowboy, mas seus personagens não sofrem, apenas experimentam sensações. Tudo em Tom da Finlândia é impregnado de uma sensualidade permissiva.
Com seu amigo Durk Dehner, ele fundou em 1979 a Companhia Tom da Finlândia, e cinco anos depois fundou também a Fundação Tom da Finlândia com o objetivo de arquivar, preservar, restaurar e exibir arte erótica.
A vida e a obra do artista que se tornou símbolo universal do homoerotismo foi retratado no documentário de 1991 chamado Daddy and the Muscle Academy - The Art, Life, and Times of Tom of Finland (Papai e a academia de músculos – A arte, vida e tempo de Tom da Finlândia).