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Lingua e Cultura: Um elo indissiociavel

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"A sobrevivência de uma língua passa por aquela da cultura que ela veicula"

 
"A cultura não é uma mercadoria. Os povos querem realizar trocas de bens, mas querem também preservar sua alma" 2
 

Talvez um dos debates mais fervorosos que acontece entre lingüistas e sociólogos hoje seja sobre a estreita e discutível relação existente entre língua e cultura. Temo ainda que para alguns economistas e engenheiros essa questão seja mínima: língua é língua e cultura é cultura.


Abordamos aqui dois universos de valores que podem ser praticamente considerados como indissociáveis, uma vez que a língua depende da cultura e vice-versa. Não se trata aqui de uma questão típica de conformismo. Não é que devamos simplesmente aceitar o mundo como é apresentado e a História como uma mera sucessão de fatos. Se tomarmos a literatura como exemplo. A literatura, uma das melhores (apesar de seu caráter elitista em todas as sociedades contemporâneas) vitrines da língua de um país, não se limita à existência, ela a ultrapassa chegando a instigar uma nova visão. Sem esse movimento, a cultura não se propagaria. Ouso dizer que a literatura abusa de intermediários preciosos como a memória, o desejo, a cultura e a linguagem (expressão do pensamento por meio de palavras). Se for, em última instância, a cultura, a grande responsável pela tomada de consciência que provoca as grandes mudanças, como essa poderia ter tal poder se estivesse desvinculada da língua?


Muitos correm o risco de se esconder atrás de sua língua. É importante aqui considerarmos que a linguagem é manipulável. Por isso, também é insuficiente. A escolha das palavras é essencial.


É evidente que nem toda cultura se restringe à língua. Sabemos que muitos valores culturais se desenvolvem independentemente da expressão escrita ou falada. Podemos citar os direitos humanos. Seus princípios primeiramente foram vivenciados, e após comprovadas sua importância e sua necessidade, se tornam uma lei escrita em algumas sociedades. Em outras, não existem. Em outras, ainda não foram formalizadas. Se pensarmos um procedimento qualquer que tenha que ser redigido. Ele primeiro acontece e, apenas posteriormente, é formalizado. Se não houvesse a língua como veículo não seria nem necessário.


Sem a língua, não poderíamos pensar em comunicação. Sem a comunicação, nada é compartilhado. Sem compartilhar, a cultura simplesmente é vazia e inexistente. A língua também depende da cultura. Sem a cultura, não teríamos os signos lingüísticos, nem exatamente o que compartilhar na sociedade. Dissociar língua e cultura seria um crime.

Se um dia, for necessário inventar uma lei para salvar esse casamento língua e cultura, já será tarde demais!

 

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