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Humberto Espíndola

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A Secretaria da Cultura do Estado do Paraná traz do Mato Grosso do Sul a mostra retrospectiva de Humberto Espíndola, um dos mais atuantes, polêmicos e contestadores nomes da atual geração de artistas brasileiros.

O pintor, que em Curitiba deu os primeiros passos formadores de sua trajetória cultural, também no campo do teatro e do jornalismo, não usou esse estágio inicial como escala para a conquista de um lugar no chamado eixo Rio-São Paulo. Atendendo ao chamado de sua terra e de sua gente sentiu, com mais intensidade, o intimo envolvimento do artista com a atmosfera e a magia do Pantanal, esse inigualável território em constante mutação, que há séculos vem sustentando o homem e a economia da região Centro-Oeste.

A trajetória ascendente do pintor mato-grossense se configura, efetivamente, na projeção corajosa e criativa de suas próprias origens, numa região que, pelo visto, parece ter reservado, generosamente, uma boa porção de sua história, de sua imagem e de todo o seu múltiplo potencial para ser utilizado por esse seu atento e sensível artista.

Muito a propósito, o pintor usou o ciclo existencial do boi – figura recorrente no extenso cenário do Pantanal – como tema central de sua obra.. Reconheceu no mesmo uma explícita identificação com o contexto ecológico e cultural de sua terra natal, que viu, em certo momento, ser traumaticamente dividida.

Inicialmente em Cuiabá, a presença de Humberto e Aline Figueiredo se constitui no elemento catalisador de um cuidadoso processo, em que se procurava reavivar os costumes populares, mitos e lendas de todo o Centro-Oeste. Tais manifestações que encontravam uma certa dificuldade para se manifestar espontaneamente, pareciam aguardar algo ou alguém que as fizesse despertar e se corporificar.

Essa tarefa pôde ser desenvolvida por Humberto, Aline e um grupo de idealistas que a eles se agregou que, sem xenofobia nem isolacionismos, se empenharam na luta em defesa dos autênticos valores de sua cultura regional, preservando-os de influências exóticas e de indesejáveis vinculações gratuitas.

Trabalhando ao lado de outros companheiros do grupo, desenvolvia ele sua produção pictórica, conquistando em tempo relativamente curto, notoriedade e prestígio raramente alcançado por outro qualquer artista deste nosso subeixo.

O suporte de pintura evoluiu então para o mural, o espacial e o ambiental, quando obteve o importante Prêmio de Pesquisa na XI Bienal Internacional de São Paulo.

A saga do boi continua como uma constante em sua obra, através da utilização dos mais variados enfoques e símbolos: chifres, couro, marcas, rosetas, rosas e os demais envolvimentos materiais ou subjetivos de sua exploração pelo homem

Também a divisão do Mato Grosso, com todas as suas implicações foi claramente retratada, a partir de 1978 em suas telas, algumas das quais vistas por aqui, em Sala Especial do 36º Salão Paranaense e, em 1980, no Museu de Arte Contemporânea do Paraná.

A invejável trajetória de Humberto Espíndola passa a ser, então, uma seqüência de conquistas artísticas e de altas premiações em certames de artes plásticas no país e no exterior, como comprova seu volumoso e rico currículo profissional.

Assim, não apenas pelas proximidades afetivas, a cidade de Curitiba e o Paraná sentem-se honrados com a presença desse renomado artista brasileiro e de sua obra nas salas de exposição da Casa Andrade Muricy.

 

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