Surpresa das boas foi encontrar em Brasília, na galeria Museu do Conjunto Cultural da Caixa, exposição de cartazes de filmes produzidos pela UFA.
A UFA, Universum Film AG, fundada em 1917 em Berlim, foi responsável pelo que há de melhor do cinema alemão nos anos 20, 30 e 40.
Outros, como Madame Du Barry, O Gabinete do Dr. Caligari, Mabuse, fazem parte desse conjunto de filmes notáveis.
Pós-guerra, o expressionismo alemão no cinema reflete o expressionismo nas artes plásticas, em evolução desde o início do século passado.
A partir de 1905, com a atuação do primeiro grupo de artistas plásticos, que se autodenominavam expressionistas, reunidos sob o nome de Die Brücke, A Ponte, as artes plásticas deram à palavra expressionismo o significado que perdura até hoje.
Mal vistos pela burguesia e marchands, que os consideravam rebeldes e anárquicos, desconsiderados e ridicularizados pela crítica, foram também alvos da polícia que apreendeu o cartaz que Kirchner fez para a segunda exposição.
Esse cartaz, uma xilo, em preto e branco, anunciando a mostra, foi precursor dos cartazes produzidos para divulgação dos filmes da UFA.
Na história do cartaz do cinema expressionista este fato não é mencionado, sequer relatado, mas acredito piamente que tal relação existe.
Conceitualmente os cartazes dos filmes foram concebidos com as mesmas intenções do cartaz de Kirchner.
Despertar a atenção do espectador era básico. Provocá-lo, fundamental.
Na Áustria, em Viena, outro artista expressionista, Egon Schiele, desenhava cartazes seguindo as mesmas premissas.
Ao surgir com a UFA, o cartaz veio a público pleno de influências do expressionismo praticado com determinação há mais uma década, na Alemanha e na Áustria.
Essa influência está visível nos 30 cartazes criados por artistas e desconhecidos.
Cuidadosamente exposta pela Caixa, a mostra dos cartazes é um exemplo claro de curadoria competente e execução primorosa.
Desconheço o destino de O Cartaz da UFA – Estréias Cinematográficas 1918 - 1943. Mas seria lamentável que essa exposição terminasse em Brasília dia 30 à noite.
A presença dessa mostra em outras capitais em que a Caixa opera seria mais do que bem-vinda.
Warum nicht? Por que não, como dizem os alemães...