Francisco Matarazzo Sobrinho, o Ciccillo, nasceu em 20 de fevereiro de 1898 em São Paulo.A fortuna que Ciccillo veio herdar teve origem nas conquistas de seu tio, o Conde Francisco Matarazzo, um imigrante italiano que veio para São Paulo, negociar gordura de porco na região de Sorocaba, no século 19.
Na primeira década do século passado, a família havia acumulado um considerável capital que foi reinvestido em atividades industriais e comerciais. Em 1922, o Conde Francisco Matarazzo decidiu separar do seu conglomerado a metalúrgica que havia fundado em 1917e passou seu comando ao genro Julio Pignatari e para o sobrinho Ciccillo. A empresa passa a se chamar Pignatarari, Matarazzo e Cia e se expandiu rapidamente nas áreas de metalurgia, estamparia de embalagens e laminação.Em 1935, a empresa foi desmembrada e Ciccillo tornou-se o único proprietário da agora da Metalma - Metalúrgica Matarazzo.
Mas ser um grande industrial era pouco para ele. Ciccillo almejava conquistar reconhecimento e prestígio, muito difíceis para famílias imigrantes naquela época. Em 1945 conheceu intelectuais de projeção e representantes das elites paulistas. Com o convívio, sentiu-se atraído por atividades culturais. Seu interesse pela arte começou após conversas com o crítico de arte Sergio Milliet e o arquiteto Eduardo Kneese de Melo.
A partir daí, até sua morte, os principais eventos e instituições culturais paulistas tiveram a marca ou o incentivo de Ciccillo Matarazzo, tais como o Teatro Brasileiro de Comédia, a Cinematográfica Vera Cruz, a Cinemateca Brasileira, a construção do Parque do Ibirapuera, o Museu de Arte e Arqueologia da Universidade de São Paulo, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo, o Presépio Napolitano, o Balé do 4º Centenário e as representações brasileiras nas Bienais de Veneza.
Dentre todas essas iniciativas, a principal levou à criação da Bienal de Arte, cujas mostras estiveram sob seu comando durante 25 anos. A primeira exposição foi feita com a participação de amigos e colaboradores. Em 1948, montou uma subdivisão da Bienal: o Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP). Em 1962, separou as duas entidades, tornando-as independentes e criou a Fundação Bienal de São Paulo.
Ciccilo Matarazzo era um visionário e conseguiu levar a arte brasileira contemporânea aos circuitos internacionais, possibilitando a atualização da cultura nacional através do contato com a produção mundial. Como presidente do MAM-SP e da Fundação Bienal de São Paulo, da qual esteve à frente até 1975, influiu na dinamização do mercado de arte, na formação de público e no incentivo à produção artística de vanguarda. Mais do que isso: investiu dinheiro, prestígio e capacidade empresarial para conferir à arte e à cultura o caráter institucional, profissional e moderno, adequado ao projeto de desenvolvimento da sociedade brasileira.
Ciccillo Matarazzo morreu na tarde de 16 de abril de 1977, no terraço de seu apartamento do Conjunto Nacional, na Av. Paulista. Conforme seu desejo, morreu olhando para São Paulo, cidade que tanto amou e ajudou a transformar da capital provinciana do início dos anos 30 em um dos centros econômicos e culturais mais importantes do mundo.