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As Musas

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Musa da Primavera! Musa do Carnaval! Musa inspiradora! Minha musa!

Estas são algumas colocações recorrentes da palavra musa, citadas de memória, sem investigação em quaisquer corpora. Mas o que vem a ser musa?

O caro leitor por certo intui que musa é uma mulher e que deve ser gente fina. Acertou!

Convido-o a compartilhar de minha curiosidade sobre a mitologia grega, versão romana. Saturno desposou Cibele e tiveram um filho: Júpiter, o senhor do Olimpo (Céu). Júpiter teve 23 esposas. A última delas foi Mnemósine, a personificação da memória ou lembrança. Mnemósine!

Mnemósine foi uma deusa muito ativa. Até hoje fazemos menção a ela no nosso dia-a-dia. Quando você inventa um jeito para lembrar-se de algo que não pode esquecer, está invocando a Mnemósine. Exemplos: para guardar o número do meu telefone, lembre-se de que ele termina com 190, o número da Polícia. Os números dos telefones da minha cidade começam com 33, número sugerido pelos médicos antigos aos pacientes suspeitos de portarem tuberculose (acho que exagerei!). Artifícios como amarrar uma fita no dedo, deixar uma bacia na mesa da cozinha ou dependurar uma cinta na maçaneta da porta da sala para não se esquecer de pagar o aluguel no dia seguinte são táticas, estratégias ou embondos chamados tecnicamente de processos mnemônicos. Uma homenagem à Mnemósine. Quando a memória andava perrengando, os antigos clamavam pela proteção de Mnemósine. Se sua memória falhar na hora da prova, da entrevista, da discussão ou do discurso, invoque a Mnemósine!

Pois bem! Mnemósine teve 9 filhas com Júpiter, todas deusas: Calíope, Clio, Euterpe, Melpômene, Tália, Urânia, Érato, Terpsícore e Polímnia. São elas as chamadas musas. São responsáveis pelas idéias, gostos, tendências e talentos das pessoas. Quando alguém tem queda pela poesia, comédia, amor, astronomia, dança e hinos, está sendo inspirado pelas musas que, além de inteligentes, são também muito bonitas, tal como sua progenitora, a Mnemósine.

Não sei qual das filhas de Mnemósine me inspirou a escrever esta crônica, caro leitor. Mas garanto que só a escrevi como um artifício mnemônico para gravar a tônica correta do nome da mãe das musas, a Mnemósine. Obriguei-me, como castigo, a copiar o nome da mulher de Júpiter 12 vezes para nunca mais falar Mnémosine ou Mnemosine em lugar de Mnemósine.

 

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